Estou decidido. Vou comprar um imóvel. (Capítulo 2 da Série sobre Compra e venda imobiliária)

turned on flat screen led televisionComo perguntaria o Sílvio Santos: você está certo disso?

Se sim, então vamos lá. Aqui vão os passos para você fazer a compra com a máxima segurança possível…

1ª Reflexão: O QUE?

Isso mesmo, o que você pretende comprar? Uma casa, um apartamento, um terreno? Onde você gostaria de morar, o que tem em mente? Quantos quartos? Quantos banheiros? Com varanda? Novo ou usado? Lembrando que, se optar pelo financiamento, estará meio que “amarrado” ao contrato por uns bons 10 ou 20 anos, pelo menos (a menos que consiga quitar antecipadamente ou transferir o contrato – por cessão), de maneira que, onde você pretende estar no futuro é um ponto a ser levado em consideração. Outro fator é a questão do planejamento familiar (se pretende se casar, ter filhos, se já os tem…) e se você tem ou deseja um bichinho de estimação (para verificar se o local onde pretende residir aceita animais e de qual porte).

2ª Reflexão: QUANDO?

Quanto tempo você pode esperar pelo seu futuro lar? Você tem condições de ir juntando dinheiro e pagar as mensais ao mesmo tempo que arca com aluguel e atuais ou futuras despesas? Algumas pessoas acreditam que comprar um imóvel “na planta” pode ser uma boa opção. Confesso que eu sou meio reticente nesse aspecto. Optando por um imóvel que ainda não foi construído, verifique se realmente o preço compensa o risco. Explico: várias construtoras estão, atualmente, em regime de recuperação judicial ou falência. Daí que muitos compradores de imóveis “na planta”, que investiram suas poupanças no “sonho da casa própria” talvez fiquem sem o bem adquirido e sem o dinheiro investido: isso porque os créditos trabalhistas e tributários têm preferência e essas empresas estão afogadas em tantas dívidas, que não há certeza, infelizmente, de que os compradores recebam o seu dinheiro de volta ou os imóveis prometidos. É uma triste realidade e um risco que você deve levar em consideração ao escolher um imóvel que ainda não está pronto. Verifique, nesse caso, as condições da empresa, se ela possui muitos processos… Aqui no site da JUCESP você pode consultar a regularidade (ao menos teórica) da empresa; e aqui no site do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (se você mora nesse Estado – senão é só pesquisar pelo site do Tribunal de Justiça do Estado em que reside) você pode pesquisar pelo nome da empresa e saber se ela já foi processada – e quantas vezes, nos últimos vinte anos. “Fuçar” informações públicas da empresa não é algo que garante o seu futuro contrato com ela, mas pelo menos já te desmotiva se o passado ou presente dela forem ruins.

3ª Reflexão: COM QUE DINHEIRO?

Nossa, que blog mais materialista!!! (rs)

É sério: tem muita gente pedindo, na Justiça, a rescisão dos contratos, porque não deu conta de pagar as prestações. Pessoas que perderam o emprego, pessoas que se arrependeram da compra, que foram transferidas de cidade… Uma coisa, é fato: ainda estamos em crise. A ideia não é te desanimar, mas é fazer você pensar nos “E se?’s”.

Fazer um planejamento é crucial – embora, no final das contas, Deus é que sabe o que vai acontecer. Porém, não é falta de fé e nem pessimismo ser uma pessoa precavida e que tem um plano “B” e um plano “C”, quando se trata de um objetivo realmente importante e que pode impactar, positiva ou negativamente, toda a sua família.

Assim, pense nas coisas ruins que têm alguma probabilidade de acontecer. E se você perder o emprego? E se o seu negócio passar por uma crise? Veja, comprar um imóvel não é a coisa mais importante da vida. O mais importante é viver – cuidar das suas necessidades (e das pessoas que dependem de você) como um todo. Então todos os seus custos devem entrar na conta, na hora de verificar que valor de imóvel e, se for pagar parcelado, qual o valor máximo da prestação que pode entrar no seu orçamento.

Importante lembrar que, pelo menos, o valor correspondente a uns 10% do preço do imóvel, seria interessante você ter em poupança. Mesmo que você pretenda adquirir um imóvel novo, e que pode, eventualmente, contar com financiamento do valor integral do preço, é certo que os valores de custas de Cartório e de impostos serão, inevitavelmente, pagos em dinheiro – e, muitíssimo provavelmente, por você.

Olha só o que diz o art. 490, do Código Civil:

Art. 490. Salvo cláusula em contrário, ficarão as despesas de escritura e registro a cargo do comprador, e a cargo do vendedor as da tradição.

Lembrando que o compromisso de compra e venda, em regra, não conta com qualquer seguro. Depois que se faz o contrato definitivo e com a participação do agente financeiro (se o pagamento do seu imóvel for parcelado), que normalmente é um banco, em regra, é feito um contrato de seguro, conjuntamente (chama-se seguro habitacional) e serve para garantir o pagamento do imóvel e a sua indenização em caso de alguma catástrofe – inclusive adoecimento ou falecimento do comprador, ou perda do imóvel. Porém, em geral, durante essa fase do contrato preliminar (compromisso de compra e venda), não há nenhum contrato de seguro.

CONCLUSÃO

Não adianta nada fazer um contrato que te manterá estressado e poderá te fazer adoecer. Então faça um planejamento realista e confortável! Considere isso: sonho organizado vira objetivo 😀

Após essas reflexões, é interessante que você tenha um quadro, mais ou menos, para nortear a sua busca, agora, no mercado imobiliário, quanto ao imóvel, a data em que ele deve ser entregue e as condições de pagamento que cabem no seu bolso (e o que você precisa poupar, se o caso). Esse é o primeiro passo, de uma jornada relativamente longa, mas que, desejamos de todo o coração, seja muito feliz e segura! Boa sorte!

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